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O que é sinistralidade e por que ela afeta o reajuste do seu plano de saúde?

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    Comunicação REP
  • há 5 dias
  • 10 min de leitura

Os planos coletivos empresariais não têm teto legal de reajuste. O percentual que a operadora vai propor na renovação depende, principalmente, de um indicador que a maioria dos gestores de RH nunca acompanhou ao longo do ano: a sinistralidade do contrato.


Todo começo de ciclo de renovação parece o mesmo. A operadora envia uma proposta com percentual de reajuste. O RH leva o número para a diretoria. A reunião fica tensa. Alguém pergunta por que o valor está alto. Ninguém tem uma resposta muito boa, porque ninguém monitorou o que aconteceu com o plano nos últimos doze meses. A negociação acontece às cegas, com a operadora segurando todos os dados e a empresa reagindo ao número apresentado.


Esse é o cenário mais comum nos contratos de planos de saúde coletivos empresariais no Brasil, e ele tem um custo que vai além do percentual aceito na renovação. A empresa que não entende sinistralidade não consegue gestão. Sem gestão, o reajuste cresce todo ano com a força dos custos não controlados, e o RH fica perpetuamente apagando incêndio em vez de trabalhar com previsibilidade.


Nesse artigo, você vai entender: o que é sinistralidade e como ela é calculada; qual índice o mercado considera saudável e o que acontece quando ele é ultrapassado; como a sinistralidade se traduz diretamente no percentual de reajuste; o que a regulação da ANS mudou em 2025 sobre o direito da empresa a dados do contrato; e por que monitorar sinistralidade ao longo do ano muda completamente a posição da empresa na negociação.


O que é sinistralidade, afinal?


Sinistralidade é o nome técnico para a relação entre o quanto os beneficiários utilizaram o plano de saúde e o quanto a empresa pagou em mensalidades durante um período. É um índice percentual: se a sua empresa pagou R$ 10.000 em mensalidades no mês e os colaboradores geraram R$ 8.000 em consultas, exames e internações, a sinistralidade do contrato naquele período foi de 80%.


A fórmula é direta: custo com atendimentos dividido pelo valor das mensalidades, multiplicado por cem. Cada consulta marcada, cada exame solicitado, cada internação aprovada pelo plano entra como sinistro no cálculo. A sinistralidade não mede se o uso foi adequado ou não. Ela mede proporção: o quanto de cada real pago voltou para os beneficiários na forma de atendimento médico.


O que torna esse indicador tão relevante para o RH é que ele conecta diretamente dois universos que costumam ser tratados de forma separada: a saúde dos colaboradores e o custo do benefício. Quando a equipe utiliza muito o plano, especialmente com procedimentos de alto custo como internações e tratamentos de doenças crônicas, a sinistralidade sobe. Quando sobe, a operadora percebe desequilíbrio financeiro no contrato e usa esse argumento como base para propor um reajuste maior na renovação.


Qual índice é considerado saudável?


O mercado de saúde suplementar opera com uma referência informal, mas amplamente reconhecida: contratos com sinistralidade abaixo de 75% a 80% são considerados saudáveis. Acima de 80%, a operadora começa a operar no limite entre o que recebe e o que paga, e isso pressiona o contrato. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a sinistralidade média do setor médico-hospitalar fechou o primeiro semestre de 2025 em 81,1%, acima do ponto de equilíbrio de referência.


O problema com esse índice médio é que ele esconde muita variação. Um contrato com doenças crônicas concentradas num grupo pequeno de usuários de alto custo pode ter sinistralidade de 110%, 120%, e ainda assim o RH não sabe disso até receber a proposta de renovação. Um contrato com população jovem e uso preventivo pode estar em 60% e ter margem confortável para negociar. A empresa que não acompanha o indicador ao longo do ano está igualmente no escuro nos dois cenários.


Há ainda uma camada de complexidade para contratos com menos de 30 vidas. Nesses casos, segundo regra da ANS, a operadora pode agrupar vários contratos pequenos num pool de risco compartilhado. Isso significa que o reajuste pode ser influenciado pelo comportamento de outras empresas do mesmo grupo, não apenas pelo histórico do seu contrato. Para o RH de uma PME, entender se o contrato opera dentro de um pool é tão importante quanto monitorar a própria sinistralidade.


Como a sinistralidade se traduz em reajuste?


Para planos individuais e familiares, a ANS estabelece um teto anual de reajuste. Para o ciclo maio de 2025 a abril de 2026, esse teto ficou em 6,06%. Para planos coletivos empresariais, a história é diferente: não existe limite legal. O percentual é negociado diretamente entre a empresa e a operadora, e a sinistralidade do contrato é o principal argumento que a operadora usa para justificar o número proposto.


A lógica que a operadora aplica é a seguinte: se os custos com atendimentos dos beneficiários superaram o ponto de equilíbrio previsto em contrato, geralmente em torno de 70% da receita com mensalidades, ela invoca desequilíbrio financeiro e propõe um reajuste para recompor as contas. Esse mecanismo é legal, mas tem condições: a previsão precisa estar clara no contrato, a operadora é obrigada a comprovar com dados que o índice foi superado, e o reajuste só pode ocorrer após doze meses do último aumento, conforme jurisprudência consolidada pelos tribunais brasileiros.


O impacto acumulado de reajustes baseados em sinistralidade alta é significativo no longo prazo. Uma empresa que aceita reajuste de 15% ao ano enquanto outra, com gestão ativa, consegue 7,5%, terá uma diferença expressiva em cinco anos: para um contrato que começa em R$ 200 por vida com 20 beneficiários, a empresa sem gestão pagará R$ 96.500 por ano no quinto ciclo, enquanto a empresa com gestão pagará R$ 68.900, segundo projeções do mercado. A diferença acumulada supera os R$ 100.000 nesse período, para um contrato de porte médio.


O que mudou em 2025: o direito da empresa aos dados


Até meados de 2025, era comum que empresas com planos coletivos chegassem à renovação sem nunca ter recebido um relatório detalhado de sinistralidade da operadora. A informação existia, mas ficava concentrada no lado da operadora. A empresa ficava refém do número apresentado porque não tinha como contestar com dados próprios.


Desde julho de 2025, esse cenário mudou formalmente. A Resolução Normativa ANS nº 507/2024 tornou obrigatória a apresentação de relatórios trimestrais de transparência de sinistralidade pelas operadoras para contratos com 30 vidas ou mais. Isso significa que a empresa tem direito legal a receber esses dados regularmente e pode usá-los na gestão do benefício e na negociação de reajuste. Se a operadora não está enviando esses relatórios, a empresa pode e deve solicitá-los com base na norma.


Para contratos com menos de 30 vidas, a obrigação formal ainda não existe, mas a empresa pode solicitar informações de sinistralidade como parte da relação contratual. O dado disponível já é suficiente para mudar a dinâmica de negociação: uma empresa que chega à renovação com três ou quatro trimestres de histórico de utilização detalhado tem argumentos concretos para questionar, comparar e negociar. Uma que chega sem dados aceita o que for proposto.


Por que monitorar sinistralidade muda a posição da empresa na negociação?


A gestão ativa de sinistralidade ao longo do ano tem dois efeitos diretos no resultado da renovação. O primeiro é preventivo: identificar os ofensores de custo com antecedência permite agir antes que o impacto apareça no índice. Internações por doenças crônicas não controladas, concentração de uso em pronto-socorro, terapias de longa duração sem revisão de protocolo: cada um desses padrões tem estratégia de mitigação específica quando identificado com tempo.


O segundo efeito é negocial: a empresa que apresenta à operadora um histórico de monitoramento, ações preventivas tomadas e evolução de indicadores ao longo do ano tem uma posição completamente diferente na mesa de negociação. Não está reagindo a um número. Está dialogando com dados equivalentes. Segundo fontes do setor citadas pelo portal Convênios Médicos SP, corretoras especializadas em gestão de benefícios relatam reduções médias de até 47% no reajuste inicialmente proposto para empresas que chegam à negociação com dados organizados e histórico documentado.


O ciclo virtuoso da gestão de sinistralidade funciona assim: acompanhamento contínuo identifica padrões de uso; ações preventivas reduzem a concentração de custos em usuários de alto sinistro; índice cai ou se estabiliza dentro do ponto de equilíbrio; operadora tem menos argumento técnico para reajuste agressivo; empresa renova com percentual mais próximo da inflação setorial e com sobra orçamentária para investir em outros componentes do pacote de benefícios. Esse ciclo não se forma em um ano. Começa no dia em que o RH para de olhar para o plano de saúde só na hora da renovação.


O que não fazer quando a sinistralidade está alta?


Quando o índice está acima de 80% ou 90%, a reação mais comum é cortar cobertura, aumentar a coparticipação ou trocar de operadora. Em alguns casos, a troca faz sentido. Na maioria, não resolve o problema estrutural: a sinistralidade alta geralmente reflete um perfil de utilização que vai se repetir no novo contrato. A operadora nova vai constatar o mesmo histórico nos primeiros meses e propor reajuste por sinistralidade no primeiro ciclo de renovação.


O que funciona é diagnóstico: entender de onde vem o custo. Se a sinistralidade está alta por internações evitáveis, ações preventivas específicas resolvem melhor do que troca de operadora. Se está alta por doenças crônicas não controladas, programas de saúde com acompanhamento continuado têm impacto direto. Se está alta por uso concentrado em pronto-socorro em vez de ambulatório, orientação de rede e educação dos beneficiários resolve com custo muito menor do que qualquer mudança contratual.

Esse diagnóstico exige os dados que, desde 2025, a empresa tem direito de receber trimestralmente. Quem usa esses dados para tomar decisões ao longo do ano chega à renovação com uma história diferente para contar.


Sinistralidade não é um número frio


A sinistralidade mede uso de saúde. Por trás de cada percentual há pessoas que adoeceram, que precisaram de atendimento, que usaram o plano porque precisavam. O objetivo de monitorar esse índice não é criar restrições ao acesso à saúde. É entender o perfil de saúde da equipe, identificar onde a empresa pode apoiar de forma preventiva e garantir que o plano continue viável no longo prazo sem reajustes que comprometam o orçamento de benefícios.


Uma empresa com sinistralidade controlada não é uma empresa onde as pessoas usam menos o plano. É uma empresa onde as pessoas usam o plano de forma mais eficiente: consultas ambulatoriais em vez de pronto-socorro, acompanhamento de crônicas em vez de internações por descompensação, uso preventivo em vez de uso reativo. Esse perfil de utilização resulta em melhores indicadores de saúde para os colaboradores e em menor pressão sobre os custos do contrato.


A gestão de sinistralidade, quando feita com dados e com foco no bem-estar da equipe, é onde o RH para de ser administrador de benefício e passa a ser gestor de saúde corporativa. Essa transição muda o tipo de conversa que o RH consegue ter com a diretoria: sai do "o reajuste veio assim" e entra no "aqui está o que fizemos, o que alcançamos e o que planejamos para o próximo ciclo".


Acompanhe a sinistralidade do seu contrato antes que o reajuste apareça


A REP Benefícios realiza o acompanhamento contínuo de mais de 100 indicadores de sinistralidade por contrato, cruzando dados de mais de 35 fontes para identificar padrões de uso, ofensores de custo e oportunidades de ação preventiva antes da renovação. Em cases reais de gestão ativa, a REP Benefícios reduziu em até 85% o impacto dos reajustes contratuais. Se o seu plano está crescendo em custo sem crescer em saúde, algo no contrato precisa ser revisado.



Perguntas frequentes sobre sinistralidade no plano de saúde empresarial


O que é sinistralidade no plano de saúde?

Sinistralidade é a relação percentual entre o custo dos atendimentos utilizados pelos beneficiários e o valor pago pela empresa em mensalidades durante um período. Se a empresa paga R$ 10.000 em mensalidades e os colaboradores geram R$ 8.000 em consultas, exames e internações, a sinistralidade do contrato é de 80%. O cálculo divide o custo com atendimentos pelo valor das mensalidades e multiplica por cem.


Qual sinistralidade é considerada saudável num plano coletivo empresarial?

O mercado de saúde suplementar considera saudável manter a sinistralidade abaixo de 75% a 80%. Segundo dados da ANS, a sinistralidade média do setor médico-hospitalar fechou o primeiro semestre de 2025 em 81,1%. Acima de 80%, a operadora começa a operar no limite financeiro do contrato e tende a usar esse desequilíbrio como argumento para reajuste mais alto na renovação.


A sinistralidade afeta diretamente o reajuste do plano empresarial?

Sim, especialmente em contratos com 30 vidas ou mais, onde o reajuste é negociado com base no histórico de utilização específico da empresa. Para contratos menores, a operadora pode agrupar vários contratos num pool de risco compartilhado, o que faz com que o reajuste seja influenciado pelo comportamento de outras empresas do grupo. De qualquer forma, contratos com histórico de sinistralidade alta têm menor poder de negociação na renovação.


A ANS controla o reajuste dos planos coletivos empresariais?

Não. Para planos coletivos empresariais, a ANS não define teto de reajuste. O percentual é negociado diretamente entre a empresa e a operadora, com base principalmente na sinistralidade do contrato e na variação dos custos médico-hospitalares. Apenas planos individuais e familiares têm limite estabelecido pela ANS: 6,06% para o ciclo maio de 2025 a abril de 2026.


A empresa tem direito a receber dados de sinistralidade da operadora?

Sim. Desde julho de 2025, a Resolução Normativa ANS nº 507/2024 tornou obrigatória a apresentação de relatórios trimestrais de transparência de sinistralidade pelas operadoras para contratos com 30 vidas ou mais. Se a operadora não está enviando esses relatórios, a empresa pode solicitá-los com base na norma. Para contratos menores, a solicitação pode ser feita como parte da relação contratual.


O que fazer quando a sinistralidade do plano está muito alta?

O primeiro passo é diagnóstico: entender de onde vem o custo. Internações evitáveis, doenças crônicas não controladas, uso concentrado em pronto-socorro e terapias sem revisão de protocolo são padrões com estratégias de mitigação distintas. Trocar de operadora sem entender a origem do problema geralmente não resolve, porque o perfil de utilização se repete no novo contrato. Ações preventivas direcionadas ao perfil de uso identificado têm impacto mais duradouro do que mudanças contratuais feitas sob pressão de reajuste.


Como monitorar a sinistralidade ao longo do ano melhora a negociação na renovação?

A empresa que chega à renovação com histórico documentado de utilização, ações preventivas tomadas e evolução de indicadores ao longo do ciclo tem argumentos concretos para questionar a proposta da operadora. Segundo fontes do setor citadas pelo portal Convênios Médicos SP, corretoras especializadas em gestão de benefícios relatam reduções médias de até 47% no reajuste inicialmente proposto para empresas que chegam à negociação com dados organizados. Monitorar sinistralidade ao longo do ano transforma a negociação de reajuste de um momento reativo numa conversa técnica com base equivalente.

 
 
 

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