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Absenteísmo e presenteísmo: o custo que a diretoria não vê no balanço

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    Comunicação REP
  • há 6 dias
  • 10 min de leitura


Uma empresa com 500 colaboradores e salário médio de R$ 5.000 perde R$ 5,1 milhões por ano em produtividade reduzida por condições de saúde não tratadas, segundo estimativa baseada em dados do Gallup (2023). Esse número não aparece em nenhuma linha do balanço contábil.


O CFO sabe exatamente quanto a empresa gasta com folha de pagamento, encargos, benefícios e rescisões. Tem o custo de cada contratação, o valor de cada hora extra, a provisão de cada férias. O que raramente está no dashboard financeiro é o quanto a empresa paga por colaboradores que estão presentes mas produzindo significativamente abaixo do potencial, ou o quanto as ausências recorrentes custam além dos dias não trabalhados. Esses dois fenômenos têm nome técnico: presenteísmo e absenteísmo. E juntos, representam o maior custo oculto de saúde corporativa que a maioria das empresas brasileiras não monitora.


A razão é simples: absenteísmo e presenteísmo não geram lançamento contábil. A falta não aparece como despesa, aparece como ausência de receita. A improdutividade não aparece como custo, aparece como meta não atingida. Sem um sistema de mensuração ativo, a diretoria toma decisões sobre investimento em saúde com informação incompleta, comparando um custo visível, o benefício, com um benefício invisível, a produtividade preservada.


Nesse artigo, você vai entender: como calcular o custo real do absenteísmo e do presenteísmo para a sua empresa; por que o presenteísmo é financeiramente mais grave do que o absenteísmo na maioria dos contextos; como esses dois indicadores se conectam diretamente à sinistralidade do plano de saúde; e qual é o retorno financeiro de programas de saúde corporativa quando medido com metodologia adequada.


O que são absenteísmo e presenteísmo e por que importam para o CFO


O absenteísmo é a ausência do colaborador durante o período de trabalho, seja por licença médica, atestado, falta justificada ou injustificada. Ele tem custo visível e relativamente fácil de mensurar: o dia não trabalhado, a hora extra paga para cobrir a ausência, o temporário contratado, o retrabalho gerado pela redistribuição de demandas. Segundo a Pesquisa de Gestão de Absenteísmo da Mercer Marsh (2023), a média de dias perdidos por trabalhador no Brasil é de 5,4 dias por ano. Em organizações de médio e grande porte, esse número acumula rapidamente num volume expressivo de horas pagas sem contrapartida de produção.


O presenteísmo é o fenômeno inverso e financeiramente mais complexo. O colaborador está presente, registra ponto, participa de reuniões, aparece nos relatórios de frequência como ativo, mas sua capacidade de entrega está comprometida por condições de saúde não tratadas: dor crônica, ansiedade, problemas de sono, infecções não resolvidas, condições de saúde mental em desenvolvimento. A empresa paga 100% do custo de alguém que entrega 60%, 50% ou menos. Essa diferença não aparece em nenhum lançamento, mas aparece nos resultados: metas não atingidas, retrabalho, decisões de menor qualidade, clientes mal atendidos.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, o custo global do presenteísmo supera o do absenteísmo em três vezes. No Brasil, pesquisa da Vittude publicada pela revista Você S/A indica taxa média de presenteísmo de 31% nas empresas brasileiras, com 20% dos colaboradores perdendo pelo menos 7,5 horas semanais de produtividade por condições de saúde não tratadas, conforme dados do Gallup (2023). Para o CFO, essa taxa tem uma tradução direta: de cada dez colaboradores, três estão entregando sistematicamente menos do que a empresa está pagando.


Como calcular o custo financeiro para a sua empresa?


A mensuração do custo financeiro de absenteísmo e presenteísmo não exige ferramentas sofisticadas. Exige dados que a empresa já tem, organizados de forma diferente.


O cálculo do absenteísmo começa pelo total de horas ou dias perdidos no período e multiplica pelo custo horário médio por colaborador, incluindo salário, encargos e benefícios. A esse valor, somam-se os custos indiretos: horas extras pagas para cobrir ausências, que podem elevar a folha em até 15% em setores como varejo e call centers, segundo dados da Charya (2025); custo de contratação temporária, que segundo o Dieese representa em média 30% a mais do que o custo do efetivo quando incluídas taxas de agenciamento e treinamento; e impacto na qualidade e nos prazos de entrega, que é mais difícil de quantificar mas tem consequências diretas em satisfação de clientes e reputação comercial.


O cálculo do presenteísmo é mais desafiador porque exige uma estimativa da perda de produtividade. As ferramentas validadas internacionalmente para essa mensuração são a Stanford Presenteeism Scale (SPS-6) e o WHO Health and Work Performance Questionnaire (WHO-HPQ), que permitem quantificar a perda antes e depois de intervenções. Para uma estimativa inicial sem aplicação de questionário, o benchmark do setor indica perda média de produtividade de 20% para colaboradores com condições de saúde não tratadas. Aplicada sobre a folha total, essa taxa gera um número que raramente aparece nos relatórios financeiros mas está presente em todos os resultados operacionais.


Para uma empresa com 500 colaboradores e custo total médio por colaborador de R$ 10.000 por mês, incluindo salário, encargos e benefícios, uma taxa de presenteísmo de 20% em 31% da força de trabalho representa perda mensal de aproximadamente R$ 310.000 em produtividade paga e não entregue. Anualizada, essa perda chega a R$ 3,7 milhões, sem nenhum evento de afastamento formal, sem nenhuma licença registrada, sem nenhuma linha no relatório de absenteísmo.


A conexão direta com a sinistralidade do plano de saúde


Absenteísmo e presenteísmo não são apenas problemas de produtividade. Eles são sintomas que aparecem antes que as condições de saúde se transformem em eventos de alto custo no plano de saúde coletivo. O colaborador que apresenta presenteísmo por dor crônica não tratada tende a evoluir para um afastamento formal quando a condição se agrava. O colaborador com ansiedade que não acessa suporte de saúde mental acumula utilização de consultas e medicamentos no plano ao longo dos meses. Doenças crônicas mal controladas, como diabetes e hipertensão, geram presenteísmo por anos antes de resultar em internação.


Segundo estimativa baseada em dados do Banco Mundial e da Organização Panamericana de Saúde, os prejuízos associados à saúde mental, uma das principais causas de presenteísmo no Brasil, equivalem a 4,7% do PIB, cerca de R$ 554,6 bilhões considerando o PIB de 2024. Esse valor contempla absenteísmo, presenteísmo, aumento do turnover e crescimento dos custos de recrutamento, treinamento e passivos trabalhistas.


A lógica financeira é direta: o presenteísmo antecede o afastamento, que antecede a internação, que antecede o reajuste do plano. Uma empresa que monitora apenas o afastamento formal está olhando para o final da cadeia, quando o custo já se materializou. Por oytro lado, se a empresa monitora os indicadores de saúde da equipe de forma contínua, ela tem a oportunidade de intervir antes que cada elo da cadeia se forme. A sinistralidade do plano de saúde é o reflexo financeiro do estado de saúde da população, e portanto, o absenteísmo e o presenteísmo são os alertas precoces que aparecem antes que esse reflexo se torne um reajuste.


Por que o presenteísmo é mais caro do que parece?


A intuição de muitos gestores é que um colaborador presente, mesmo com desempenho reduzido, é menos problemático do que um colaborador ausente. A evidência aponta o oposto em contextos de alta demanda cognitiva.


Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho mostrou que 30,6% dos trabalhadores de uma indústria apresentaram comportamento presenteísta nos últimos 12 meses, e 50,9% relataram queda direta no rendimento. Em setores com alta demanda cognitiva ou emocional, segundo dados da Harvard Business Review, o custo do presenteísmo pode ser até três vezes maior do que o do absenteísmo. Um colaborador ausente pode ser coberto por redistribuição de demanda ou por contratação temporária. Já um colaborador presente mas improdutivo ocupa o espaço sem entregar o resultado, toma decisões com qualidade reduzida, participa de reuniões sem contribuição real e pode propagar desmotivação no ambiente.


Além disso, o presenteísmo tem uma característica que o torna especialmente custoso do ponto de vista financeiro: ele é silencioso. Enquanto a ausência gera um evento registrado no sistema de RH, a improdutividade por condição de saúde não tratada não deixa rastro nos relatórios convencionais. Para a diretoria, o colaborador aparece como ativo e presente, mas para o resultado operacional, ele está custando mais do que entrega. Essa assimetria de informação é o que permite que o presenteísmo se acumule por meses ou anos sem que a empresa quantifique o impacto real.


O retorno financeiro de programas de saúde corporativa


A pergunta que o CFO precisa responder antes de aprovar qualquer investimento em saúde corporativa é objetiva: qual é o retorno? A resposta está na diferença entre o custo do programa e a redução dos custos de absenteísmo, presenteísmo e sinistralidade que ele gera.


Dados da Caliandra Saúde, referenciados em análise publicada pelo Times Brasil em 2025, apontam que para cada US$ 1 investido em diagnóstico precoce, tratamento e prevenção de transtornos, há retorno de US$ 4 para a empresa. Na mesma direção está o benchmark da Deloitte no Reino Unido, publicado no relatório "Mental Health and Employers", que indica retorno de £5 para cada £1 investido em programas de saúde mental corporativa. E para programas abrangentes de saúde corporativa, o modelo de cálculo consolidado pelo setor indica ROI entre 3:1 e 6:1 dependendo do perfil da população e da intensidade das intervenções.


Em termos práticos, uma empresa que investe R$ 300.000 por ano num programa estruturado de saúde preventiva e gestão de absenteísmo pode recuperar entre R$ 900.000 e R$ 1,8 milhão em redução de custos diretos e indiretos de absenteísmo, presenteísmo e sinistralidade. Esses números não são garantia, mas são o intervalo documentado pela literatura de gestão de saúde corporativa quando programas são implementados com metodologia e acompanhamento de resultados.


O ponto crítico é a mensuração. Um programa de saúde sem linha de base de absenteísmo e presenteísmo mensurada antes da implementação não consegue demonstrar retorno porque não tem comparação. A diretoria que aprova o investimento sem estabelecer os KPIs de referência inicial perde a capacidade de avaliar o resultado e, com isso, perde também o argumento para continuar o programa nos ciclos seguintes.


O custo que não aparece no balanço é o mais difícil de cortar


Gestão financeira eficiente exige visibilidade sobre todos os custos relevantes, não apenas sobre os que aparecem nos demonstrativos contábeis. Absenteísmo e presenteísmo são custos reais, mensuráveis e controláveis quando monitorados com a metodologia certa. A empresa que não os mede não os gerencia, e a empresa que não os gerencia paga por eles todos os meses, nos resultados operacionais, na sinistralidade do plano e no turnover que se acumula quando os problemas de saúde chegam ao ponto de ruptura.


A decisão de investir em saúde corporativa deixa de ser uma escolha de bem-estar quando os números estão visíveis. Ela se torna uma decisão financeira com ROI documentado, comparável a qualquer outro investimento operacional que a diretoria avalia com os mesmos critérios de retorno.


Transforme os custos invisíveis em decisão com dado


A REP Benefícios cruza mais de 100 indicadores de sinistralidade e dados de saúde da população segurada para identificar os padrões de absenteísmo e presenteísmo antes que se tornem afastamentos de longa duração ou eventos de alto custo no plano. Em cases reais de gestão ativa, a REP Benefícios reduziu em até 85% o impacto dos reajustes contratuais. Se a sua empresa não tem visibilidade sobre o custo real de absenteísmo e presenteísmo, esse é o ponto de partida para qualquer decisão de investimento em saúde com critério financeiro.



Perguntas frequentes sobre absenteísmo e presenteísmo nas empresas


O que é absenteísmo e como ele é calculado?

Absenteísmo é a ausência do colaborador durante o período de trabalho, seja por licença médica, atestado ou falta. A taxa de absenteísmo é calculada dividindo o total de horas ausentes pelo total de horas que deveriam ter sido trabalhadas no período, multiplicado por cem. A Pesquisa de Gestão de Absenteísmo da Mercer Marsh (2023) indica média de 5,4 dias perdidos por trabalhador por ano no Brasil. Além do custo direto do dia não trabalhado, o absenteísmo gera custos indiretos com horas extras, temporários e queda de qualidade nas entregas.


O que é presenteísmo e por que ele é mais difícil de medir do que o absenteísmo?

Presenteísmo é o fenômeno em que o colaborador está fisicamente presente no trabalho mas com produtividade significativamente reduzida por condições de saúde não tratadas, como dor crônica, ansiedade, depressão ou insônia. É mais difícil de medir porque não gera evento registrado nos sistemas de RH: o colaborador aparece como presente e ativo nos relatórios de frequência. A mensuração exige aplicação de ferramentas validadas como a Stanford Presenteeism Scale (SPS-6) ou o WHO Health and Work Performance Questionnaire (WHO-HPQ), que permitem estimar a perda de produtividade antes e depois de intervenções.


Qual é o custo do presenteísmo para as empresas brasileiras?

A taxa média de presenteísmo nas empresas brasileiras é de 31%, segundo pesquisa da Vittude publicada pela revista Você S/A, com 20% dos colaboradores perdendo pelo menos 7,5 horas semanais de produtividade por condições de saúde não tratadas, conforme dados do Gallup (2023). Para uma empresa com 500 colaboradores e salário médio de R$ 5.000, isso representa perda estimada de R$ 5,1 milhões por ano em produtividade reduzida. Segundo a OMS, o custo global do presenteísmo supera o do absenteísmo em três vezes.


Como absenteísmo e presenteísmo se conectam à sinistralidade do plano de saúde?

Absenteísmo e presenteísmo são sintomas precoces de condições de saúde que, quando não tratadas, evoluem para eventos de alto custo no plano: internações, afastamentos de longa duração, procedimentos de alta complexidade. O colaborador com dor crônica não tratada tende ao afastamento quando a condição se agrava. O colaborador com doença crônica mal controlada gera utilização crescente do plano ao longo dos meses antes de uma internação. Monitorar absenteísmo e presenteísmo permite intervir antes que esses eventos se materializem na sinistralidade e no reajuste do contrato.


Qual é o ROI de programas de saúde corporativa?

Os dados disponíveis indicam intervalo entre 3:1 e 6:1 para programas estruturados de saúde corporativa, dependendo do perfil da população e da intensidade das intervenções. Dados da Caliandra Saúde referenciados em análise publicada em 2025 apontam retorno de US$ 4 para cada US$ 1 investido em diagnóstico precoce e prevenção. O benchmark da Deloitte no Reino Unido indica retorno de £5 para cada £1 investido em programas de saúde mental corporativa. A mensuração do ROI exige linha de base de absenteísmo e presenteísmo estabelecida antes da implementação do programa para que seja possível comparar resultados.


Como incluir absenteísmo e presenteísmo no relatório financeiro para a diretoria?

O ponto de partida é estabelecer a linha de base: taxa de absenteísmo atual, custo direto e indireto por ausência e estimativa de presenteísmo pela taxa média do setor ou por questionário aplicado internamente. Com esses números, calcula-se o custo total anual dos dois fenômenos e compara-se com o investimento necessário para um programa de gestão de saúde. O ROI resultante transforma a discussão de benefícios num argumento financeiro comparável a qualquer outro investimento operacional. Ferramentas como Stanford Presenteeism Scale e WHO-HPQ permitem mensuração mais precisa e acompanhamento de evolução ao longo do tempo.


Quais são as principais causas de absenteísmo e presenteísmo nas empresas brasileiras?

As causas mais frequentes de absenteísmo são doenças respiratórias, musculo esqueléticas e transtornos mentais, com ansiedade e depressão respondendo por parcela crescente dos afastamentos formais. Os transtornos mentais foram responsáveis por mais de 546 mil afastamentos em 2025, segundo o Ministério da Previdência Social, consolidando-se como segunda maior causa de licença no país. As causas mais frequentes de presenteísmo são dor crônica, que inclui lombalgia, cervicalgia e tendinites, respondendo por 38% dos casos em trabalhadores de escritório segundo o IBGE (2023), seguida de transtornos mentais em desenvolvimento e doenças crônicas mal controladas como diabetes e hipertensão.



 
 
 

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